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03
Jan17

A deputada Rosa Albernaz, cuja existência desconhecia, facto do qual me penitencio, que integra a mesa da Assembleia, acusou Manuel Alegre de "não acatar as regras normais" da bancada, declarando ao Público: "Uma vez que o deputado Manuel Alegre falou sem autorização, perguntei na reunião se existiam deputados de primeira e de segunda." A deputada Paula Barros foi mais longe: "Quando as pessoas deixam os seus próprios princípios básicos, pergunto se não se deviam retirar." Eu não sei se existem deputados de segunda, mas sei que há deputados cuja intervenção prestigia a assembleia e o país, e outros que é igual ao litro. Há mesmo deputados que chegam ao fim de um mandato sem se ter dado por eles. Não é o caso destas duas deputadas que agora, graças à sua indignação pelo delito de Alegre, passam a ter -- ainda que efémera -- existência. Compreendo que prefiram ouvir Vitalino Canas dizer que desenhadores e violentadores estão "bem uns para os outros", discurso que, se não confrangedor, até seria cómico. Mas não penso que seja Manuel Alegre quem esteja errado na bancada do PS, ou no PS, onde as suas ideias e palavras são bem conhecidas. Não, não vou convidar Vitalino, Albernaz e Barros a mudarem de partido. Quero apenas ajudar: é que às vezes, por engano, as pessoas estão no autocarro errado, e parece-me ser o caso destes novos-ricos da democracia parlamentar...

Depois de obter nas urnas o extraordinário resultado que teve, Manuel Alegre decidiu regressar às sua funções de Deputado, agora com uma legitmidade acrescida para falar em nome dos que nele confiaram. A sua primeira intervenção ocorreu a propósito da onda de violência, ao que parece orquestrada, desencadeada contra a Dinamarca pelo fundamentalismo islâmico. Alegre declarou, e muito bem, que não se pode responder a uma deriva xenófoba com outra deriva. Criticou, e muito bem, a terrível omissão de Freitas do Amaral em relação ao povo e Estado dinamarquês. Recordou, e muito bem, que em democracia são os tribunais que sancionam os abusos da liberdade de expressão. A reacção mesquinha de alguns deputados socialistas não se fez esperar. Houve mesmo uma deputada que achou que Alegre devia sair do Parlamento. Não sei que ideia fazem tais deputados do seu papel. Mas seguramente não representam o povo que os elegeu se nem sequer respeitam a autoridade moral e democrática de alguém como Manuel Alegre. É o aparelhismo no seu pior - uma manifestação de cretinice que deslustra o Parlamento e deslustra o maior partido português.

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