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Frente ao cenário de mudanças no mercado e instabilidades políticas e econômicas, o setor de telefonia está prestes a se reinventar. Depois de assistir de camarote os serviços proporcionados pela internet engolirem alguns dos mercados mais rentáveis das operadoras de telefonia (como chamadas de voz e SMS, hoje completamente superadas por aplicativos como o Whatsapp), o plano de pacote de dados continua sendo uma das únicas soluções que as operadoras ainda podem vender aos seus clientes.

Mas esses pacotes estão ficando cada vez mais baratos. Com base nesse princípio, a Veek (nova operadora que começará suas atividades no primeiro semestre de 2017), está apostando todas as suas fichas em dois modelos de negócio: o MVNO e o MMN.

O MVNO pouca gente conhece, é um modelo de aluguel das redes de telefonia e infraestrutura de outra operadora. Os Correios, por exemplo, já estão trabalhando dessa forma. Quando uma empresa aluga a rede de outra, ela precisa arcar com muito menos investimento inicial, o que permite tarifas mais baratas para manter a sustentabilidade da empresa.

Outra aposta da Veek está no modelo de MMN, ou Marketing Multinível (como muitos preferem chamar). Esse modelo já é bem conhecido pelos brasileiros, tem crescido cada vez mais. Apesar de ser um palco para fraudes e pirâmides financeiras, um modelo de marketing multinível bem executado e legalizado (obviamente) pode ser muito rentável, pois dispende de menos investimentos em publicidade (os próprios revendedores fazem a divulgação). Mas para isso, o plano de negócios (ou plano de recompensas) precisa ser atrativo.

Em suma, a Veek está apostando em redução de custos de infraestrutura (adotando o MVNO) e redução de custos com marketing (repassando esses custos na forma de bônus por entrada de caixa com o MMN).

Vai dar certo? Não sabemos, mas será um ano interessante que pode ensinar muito para um mercado pouco saturado e obsoleto como o de telefonia.

Obs: nem todas as regiões estarão com cobertura da Veek inicialmente. Apenas os DDDs com maior quantidade potencial de usuários irá poder utilizar os chips da operadora, mas a expectativa é que rapidamente a empresa cresça e se espalhe pelo Brasil. Alberto Blanco (diretor e CEO da Veek) estima conseguir um público de até 1 milhão de usuários no primeiro ano de operação.

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11
Jan17

Um dos aspectos mais desconcertantes da democracia é o facto de os eleitores ousarem pensar pela própria cabeça. Percebo que isto incomode alguns dos mais distintos comentadores da comunicação social portuguesa: a 22 de Janeiro último, 20,74% dos eleitores (mais precisamente 1.138.297 votos) borrifaram-se no seu parecer e deram a resposta adequada à campanha sistemática de ataques à candidatura de Manuel Alegre e à tentativa de imposição de uma bipolarização que só existia na cabeça dos seus mentores. A candidatura de Manuel Alegre resistiu às colunas de permanente ataque pessoal – muitas vezes roçando o insulto – na imprensa escrita (em média dois escribas de serviço em cada jornal) e aos comentadores residentes nas televisões (Vitorino dizia que Soares ganharia à primeira volta, o Professor Marcelo, depois de semanas a diminuir a candidatura de Manuel Alegre, acabaria por fazer o ser culpa). Os portugueses não são estúpidos, como pretendem alguns falsos cosmopolitas que não conseguem sair do seu provincianismo mental. As pessoas aperceberam-se da descarada tentativa de manipulação destas eleições.

O tratamento desigual dado pelas televisões aos diferentes candidatos merece reflexão. Segundo dados da Media Monitor e-telenews.com, publicados na edição do Expresso de 28.1.2006, o candidato Mário Soares foi quem teve mais tempo na televisão – cerca de 10 horas a mais de cobertura televisiva do que Manuel Alegre, que surgia em penúltimo da lista, apenas à frente de Garcia Pereira! Soares não pode queixar-se da cobertura mediática da sua campanha, tal como não pode queixar-se da generosidade da Eurosondagem, que “subestimou” o seu principal adversário à esquerda (extraordinária justificação esta que foi dada pelo responsável desta empresa de sondagens – ele próprio um apoiante declarado da candidatura de Soares -, que assim confessou os seus critérios “científicos”). É também curioso notar que o candidato Francisco Louçã teve praticamente o mesmo tempo de televisão e até mais 108 notícias do que o presidente eleito. Parece legítimo concluir-se que os portugueses estão cansados do seu tele-evangelismo de esquerda. Jamais, desde que há democracia em Portugal, um acto eleitoral pôs a nu um tamanho fosso entre a opinião pública e a opinião publicada. Foram os eleitores que, através dos votos depositados nas urnas, acabaram por assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas.

Apesar de todas as tentativas de censura e manipulação, a candidatura um homem livre, sem máquinas partidárias nem estrutura profissional, apoiada pela força e a esperança de muitos voluntários em todo país, fez com que o “poder dos cidadãos” saltasse dos cartazes para as urnas, ficando a décimas de uma surpresa histórica. Outro dos imponderáveis da democracia é o de por vezes as eleições exporem realidades até aí escondidas, como seja o crescente distanciamento e desconfiança dos eleitores relativamente aos aparelhos partidários e às escolhas por estes impostas. Estes partidos que temos são eles próprios um factor de empobrecimento e de afunilamento da democracia. Ainda que de modos diferentes, tanto Cavaco Silva como Manuel Alegre denunciaram a mediocridade que se apoderou dos nossos partidos. Somados tiveram cerca de 70% dos votos. Isto é o reconhecimento, pelos eleitores, de que a nossa democracia representativa está doente. Os partidos políticos estão fechados sobre si próprios e enfeudados a lógicas e a interesses cuja transparência é cada vez mais difícil de controlar. Precisam desesperadamente de um impulso de renovação e abertura que já só pode vir de fora. Não há que ter medo desta competição com os movimentos cívicos; ela é urgente e saudável, porque contribuirá para a regeneração da própria democracia representativa. 1.138.297 cidadãos perceberam isto. Mas alguns comentadores, em sintonia com outros insignes representantes do aparelhismo partidário, continuam a revelar falta de humildade democrática perante os factos.

Curiosamente, os mesmos que haviam decretado o fracasso da candidatura de Manuel Alegre apressaram-se a declarar a morte de algo cuja forma e objectivos ainda desconhecem. Pode ser que se enganem outra vez. O Movimento de cidadania em torno da candidatura de Manuel Alegre foi um fenómeno pioneiro, abrindo as portas ao reforço da democracia participativa. Em menos de três meses, este verdadeiro milagre de cidadania ficou, contra tudo e contra todos, a escassas décimas de uma segunda volta das presidenciais. Mas, como disse Manuel Alegre, “fica a lição, fica a esperança, fica o exemplo de democracia participativa e do poder dos cidadãos”. Este Movimento não se esgota nem numa só pessoa nem numa só causa. O poder dos cidadãos está aí e veio para ficar. O poder dos cidadãos é o futuro da democracia.

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03
Jan17

A deputada Rosa Albernaz, cuja existência desconhecia, facto do qual me penitencio, que integra a mesa da Assembleia, acusou Manuel Alegre de "não acatar as regras normais" da bancada, declarando ao Público: "Uma vez que o deputado Manuel Alegre falou sem autorização, perguntei na reunião se existiam deputados de primeira e de segunda." A deputada Paula Barros foi mais longe: "Quando as pessoas deixam os seus próprios princípios básicos, pergunto se não se deviam retirar." Eu não sei se existem deputados de segunda, mas sei que há deputados cuja intervenção prestigia a assembleia e o país, e outros que é igual ao litro. Há mesmo deputados que chegam ao fim de um mandato sem se ter dado por eles. Não é o caso destas duas deputadas que agora, graças à sua indignação pelo delito de Alegre, passam a ter -- ainda que efémera -- existência. Compreendo que prefiram ouvir Vitalino Canas dizer que desenhadores e violentadores estão "bem uns para os outros", discurso que, se não confrangedor, até seria cómico. Mas não penso que seja Manuel Alegre quem esteja errado na bancada do PS, ou no PS, onde as suas ideias e palavras são bem conhecidas. Não, não vou convidar Vitalino, Albernaz e Barros a mudarem de partido. Quero apenas ajudar: é que às vezes, por engano, as pessoas estão no autocarro errado, e parece-me ser o caso destes novos-ricos da democracia parlamentar...

Depois de obter nas urnas o extraordinário resultado que teve, Manuel Alegre decidiu regressar às sua funções de Deputado, agora com uma legitmidade acrescida para falar em nome dos que nele confiaram. A sua primeira intervenção ocorreu a propósito da onda de violência, ao que parece orquestrada, desencadeada contra a Dinamarca pelo fundamentalismo islâmico. Alegre declarou, e muito bem, que não se pode responder a uma deriva xenófoba com outra deriva. Criticou, e muito bem, a terrível omissão de Freitas do Amaral em relação ao povo e Estado dinamarquês. Recordou, e muito bem, que em democracia são os tribunais que sancionam os abusos da liberdade de expressão. A reacção mesquinha de alguns deputados socialistas não se fez esperar. Houve mesmo uma deputada que achou que Alegre devia sair do Parlamento. Não sei que ideia fazem tais deputados do seu papel. Mas seguramente não representam o povo que os elegeu se nem sequer respeitam a autoridade moral e democrática de alguém como Manuel Alegre. É o aparelhismo no seu pior - uma manifestação de cretinice que deslustra o Parlamento e deslustra o maior partido português.

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